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O
desenvolvimento econômico de um país ou
região pressupõe o aumento ou melhoria de
indicadores econômicos, infra-estruturais,
sociais e ambientais. O crescimento
econômico torna-se uma condição necessária
para a elevação da renda per capita,
gerar novos empregos e facilitar o acesso da
população a uma variedade mais ampla de bens
e serviços básicos. Ele envolve a inclusão
da população mais pobre ao mercado e a
conseqüente redução da população miserável
na população total.
O aumento da infra-estrutura é condição
indispensável, tanto para permitir maior
crescimento econômico, ao reduzir custos (de
transporte, de comunicações), como para
elevar o nível de bem-estar da população.
Neste último aspecto, cabe mencionar os
investimentos em saneamento básico (redes de
esgoto e de água tratada), conjuntos
residenciais para a população mais pobre e
para a classe média. Transportes urbanos
eficientes contribuem tanto para assegurar o
acesso dos trabalhadores aos seus locais de
trabalho, como aumenta o conforto da
população como um todo, ao reduzir o tempo
dos trajetos.
A condição suficiente é que esse crescimento
ocorra com a melhoria de indicadores sociais
e ambientais, envolvendo educação de maior
qualidade e dirigida às necessidades da
economia, como aos anseios da população, e
ainda
promova melhor saúde para os trabalhadores e
para a sua família. Como exemplo de
melhorias de indicadores sociais, pode ser
citado maior escolaridade, elevação da expectativa
de vida e redução da taxa de mortalidade
geral e da taxa de mortalidade infantil.
É de se esperar que um povo saudável e
educado, com emprego e um nível razoável de
renda, permitindo o acesso às necessidades
básicas (alimentação, vestuário, saúde,
educação e lazer) seja um povo que tenha as
condições mínimas fundamentais para a sua felicidade
neste mundo.
Para mais detalhes, veja o texto:
Indicadores de Desenvolvimento Econômico
Crescimento econômico do Brasil
A economia brasileira passou a
crescer de modo mais sistemático a partir
do final do século 19, com o surgimento do
café como base exportadora dinâmica e
relativamente estável. Essa atividade
contribuiu decididamente para a consolidação
do sistema de mercado interno, ao permitir
importações de bens de capital, ao exercer
efeitos de encadeamento sobre as atividades
ligadas, fornecedoras de bens de consumo
intermediário, e ao expandir a renda e o
emprego. A partir de 1930, a própria crise
do balanço de pagamentos acelerou o
processo de substituição de importações.
Isso foi possível pelo aumento da
capacidade produtiva industrial ocorrida na
década anterior, graças ao grande
crescimento das exportações de café.
A partir da década de 1940, o
aumento da demanda de bens de capital,
provocada pelo crescimento do setor de
mercado interno, e a elevação dos preços
de similares importados (política cambial
desfavorável aos produtos importados),
favoreceu a implantação da indústria
produtora de bens de capital. A escassez de
divisas logo após a II Guerra Mundial levou
a um controle seletivo de importações,
beneficiando insumos industriais, combustíveis
e bens de capital.
A partir de 1948, conforme o Anuário
Estatístico do Brasil, a economia
brasileira cresceu acima de 5%, comandada
pela indústria, que cresceu 10,9% entre
1948/1950, 10,2% entre 1955/1960 e 11,3%
entre 1970/1975. Porém, o Brasil conheceu
crescimento negativo em: 1949 (-4,4%),
1951 (-3,4%), 1958 (-4,4%), 1960
(-0,8%), 1981 (-4,4%), 1983 (-3,4%), 1990
(-4,4%) e 1992 (-0,8%). Os economistas têm
observado que o crescimento econômico se
faz com oscilações periódicas, ou seja,
com picos e vales, com recessão e recuperação.
Para evitar essas flutuações, torna-se
necessário o monitoramento constante da
economia, pela política econômica
governamental, de preferência através do planejamento
econômico, como existe na França,
China, Índia e Coréia do Sul desde o final
dos anos de 1940.
Mais detalhes no texto:
Crescimento Econômico da
Rússia, México e Brasil
Conjuntura econômica
É possível maior crescimento econômico para
o Brasil, no
curto prazo?
A conjuntura econômica atual não é favorável
ao crescimento econômico para o Brasil; e sem
crescimento não há desenvolvimento. Os
fatores mais desfavoráveis ao crescimento
são as altas taxas de juros reais (12,9%),
que inviabiliza investimentos privados, e a
redução dos investimentos públicos. Pela
necessidade de gerar superávit primário
(5,08% do PIB no segundo trimestre de 2005),
o governo corta investimentos, tendo em
vista a dificuldade de reduzir os gastos
correntes.
Desempenho
esperado para a economia brasileira em 2005
|
Variáveis |
2002 |
2005 |
|
Balança
comercial (US$ bilhões) |
12,5 |
41,5 |
|
Inflação
(% ao ano) |
12,5 |
5,3 |
|
Crescimento
do PIB (%) |
1,5 |
3,3 |
|
Taxa
de câmbio (R$/US$) |
3,5 |
2,3 |
|
Taxa
de Juros SELIC (%) |
25,0 |
18,2 |
|
Taxa
de desemprego Regiões Metropolitanas (Set.) |
11,5 |
9,6 |
Fonte:
Revista Veja (02/11/05) e IPEADATA.
O item da demanda agregada que tem sido a
principal fonte de geração de renda e de
emprego são as exportações, esperando-se um
saldo positivo na balança comercial de US$
41,5 bilhões de dólares no fim de 2005.
O controle da inflação tem sido exercido com
muito esmero pelo governo atual. A taxa de
12,5% do fim do II governo FHC deverá
reduzir-se para 5,3% em dez. 2005. Para ser
justo, é preciso dizer que a boa performance
da condução da economia pelo governo atual
se deve principalmente à conjuntura internacional favorável
(o Japão voltou a crescer em 2005 e deverá
crescer um pouco mais em 2006) e ao plano de
sustentabilidade da dívida pública lançado
em 2000, ancorado na Lei de Responsabilidade
Fiscal, na Reestruturação das Dívidas dos
Estados e Municípios e na Reforma da
Seguridade Social. Esse plano contava aumentar
os superávits primários para 4,25% do PIB
(combate à sonegação fiscal e controle dos
gastos das três esferas do governo) e
redução dos juros reais para 9% ao ano.
Com esse plano, aliado a uma projeção de
crescimento do PIB de 3,5% ao ano (3,3% em
2005), conta-se chegar no ano de 2011 com uma
relação Dívida Líquida/PIB de 40%, ou menos.
Conclui-se que, sem turbulência externa, a
economia brasileira obterá o ajuste interno
em cinco anos. Contudo, com crescimento
econômico lento, o desemprego não se reduz
na velocidade esperada, mantendo-se cerca de
33 milhões de pessoas com renda mensal que
apenas consegue adquirir a cesta básica. A
pobreza e as desigualdades sociais e
regionais no Brasil são ainda muito altas e
a taxa de criminalidade atinge patamares
assustadores, principalmente nas grandes
cidades.
Assim, dadas as restrições dos juros e dos
baixos níveis atuais do investimento total,
torna-se necessário incentivar-se o afluxo
de investimentos externos, no contexto, por
exemplo, das Parcerias Público-Privadas (PPP),
dirigidas principalmente para obras de
infra-estrutura e para projetos de
melhorias sociais.
Ademais, a queda da taxa SELIC para 15%
(juros reais de 9%, contando uma inflação de
6%) reduziria os encargos da dívida pública,
abrindo espaços para aumento dos
investimentos públicos. O essencial,
contudo, é não perder o foco do saneamento
financeiro, centrado no plano de
sustentabilidade da dívida pública. A
continuidade dessa política, a seriedade com
que ela é conduzida, constitui um fator
importante para a redução do risco-Brasil e
para aumentar o afluxo de capitais externos,
sobretudo de capitais diretamente
produtivos.
Porto Alegre, 23/11/2005.
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