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  NALI DE JESUS DE SOUZA

  Autor dos Livros Desenvolvimento Econômico e Curso de Economia        Editor da Revista Análise da PUCRS

 

 

   

 

   

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ComentárioS ECONÔMICOS

 

O que é desenvolvimento econômico?

            O desenvolvimento econômico de um país ou região pressupõe o aumento ou melhoria de indicadores econômicos, infra-estruturais, sociais e ambientais. O crescimento econômico torna-se uma condição necessária para a elevação da renda per capita, gerar novos empregos e facilitar o acesso da população a uma variedade mais ampla de bens e serviços básicos. Ele envolve a inclusão da população mais pobre ao mercado e a conseqüente redução da população miserável na população total.

           O aumento da infra-estrutura é condição indispensável, tanto para permitir maior crescimento econômico, ao reduzir custos (de transporte, de comunicações), como para elevar o nível de bem-estar da população. Neste último aspecto, cabe mencionar os investimentos em saneamento básico (redes de esgoto e de água tratada), conjuntos residenciais para a população mais pobre e para a classe média. Transportes urbanos eficientes contribuem tanto para assegurar o acesso dos trabalhadores aos seus locais de trabalho, como aumenta o conforto da população como um todo, ao reduzir o tempo dos trajetos.

              A condição suficiente é que esse crescimento ocorra com a melhoria de indicadores sociais e ambientais, envolvendo educação de maior qualidade e dirigida às necessidades da economia, como aos anseios da população, e ainda promova melhor saúde para os trabalhadores e para a sua família. Como exemplo de melhorias de indicadores sociais, pode ser citado maior escolaridade, elevação da expectativa de vida e redução da taxa de mortalidade geral e da taxa de mortalidade infantil.

           É de se esperar que um povo saudável e educado, com emprego e um nível razoável de renda, permitindo o acesso às necessidades básicas (alimentação, vestuário, saúde, educação e lazer) seja um povo que tenha as condições mínimas fundamentais para a sua felicidade neste mundo.

    

 Para mais detalhes, veja o texto: Indicadores de Desenvolvimento Econômico

 

 

Crescimento econômico do Brasil

 

            A economia brasileira passou a crescer de modo mais sistemático a partir do final do século 19, com o surgimento do café como base exportadora dinâmica e relativamente estável. Essa atividade contribuiu decididamente para a consolidação do sistema de mercado interno, ao permitir importações de bens de capital, ao exercer efeitos de encadeamento sobre as atividades ligadas, fornecedoras de bens de consumo intermediário, e ao expandir a renda e o emprego. A partir de 1930, a própria crise do balanço de pagamentos acelerou o processo de substituição de importações. Isso foi possível pelo aumento da capacidade produtiva industrial ocorrida na década anterior, graças ao grande crescimento das exportações de café.

            A partir da década de 1940, o aumento da demanda de bens de capital, provocada pelo crescimento do setor de mercado interno, e a elevação dos preços de similares importados (política cambial desfavorável aos produtos importados), favoreceu a implantação da indústria produtora de bens de capital. A escassez de divisas logo após a II Guerra Mundial levou a um controle seletivo de importações, beneficiando insumos industriais, combustíveis e bens de capital.

            A partir de 1948, conforme o Anuário Estatístico do Brasil, a economia brasileira cresceu acima de 5%, comandada pela indústria, que cresceu 10,9% entre 1948/1950, 10,2% entre 1955/1960 e 11,3% entre 1970/1975. Porém, o Brasil conheceu crescimento negativo em: 1949 (-4,4%), 1951 (-3,4%), 1958 (-4,4%), 1960 (-0,8%), 1981 (-4,4%), 1983 (-3,4%), 1990 (-4,4%) e 1992 (-0,8%). Os economistas têm observado que o crescimento econômico se faz com oscilações periódicas, ou seja, com picos e vales, com recessão e recuperação. Para evitar essas flutuações, torna-se necessário o monitoramento constante da economia, pela política econômica governamental, de preferência através do planejamento econômico, como existe na França, China, Índia e Coréia do Sul desde o final dos anos de 1940.

 

Mais detalhes no texto: Crescimento Econômico da Rússia, México e Brasil

 

Conjuntura econômica

É possível maior crescimento econômico para o Brasil, no curto prazo?

              A conjuntura econômica atual não é favorável ao crescimento econômico para o Brasil; e sem crescimento não há desenvolvimento. Os fatores mais desfavoráveis ao crescimento são as altas taxas de juros reais (12,9%), que inviabiliza investimentos privados, e a redução dos investimentos públicos. Pela necessidade de gerar superávit primário (5,08% do PIB no segundo trimestre de 2005), o governo corta investimentos, tendo em vista a dificuldade de reduzir os gastos correntes.

Desempenho esperado para a economia brasileira em 2005

Variáveis

2002

2005

 Balança comercial (US$ bilhões)

12,5

41,5

 Inflação (% ao ano)

12,5

5,3

 Crescimento do PIB (%)

1,5

3,3

 Taxa de câmbio (R$/US$)

3,5

2,3

 Taxa de Juros SELIC (%)

25,0

18,2

 Taxa de desemprego Regiões Metropolitanas (Set.)

11,5

9,6

 Fonte: Revista Veja (02/11/05) e IPEADATA.

              O item da demanda agregada que tem sido a principal fonte de geração de renda e de emprego são as exportações, esperando-se um saldo positivo na balança comercial de US$ 41,5 bilhões de dólares no fim de 2005.

               O controle da inflação tem sido exercido com muito esmero pelo governo atual. A taxa de 12,5% do fim do II governo FHC deverá reduzir-se para 5,3% em dez. 2005. Para ser justo, é preciso dizer que a boa performance da condução da economia pelo governo atual se deve principalmente à conjuntura internacional favorável (o Japão voltou a crescer em 2005 e deverá crescer um pouco mais em 2006) e ao plano de sustentabilidade da dívida pública lançado em 2000, ancorado na Lei de Responsabilidade Fiscal, na Reestruturação das Dívidas dos Estados e Municípios e na Reforma da Seguridade Social. Esse plano contava aumentar os superávits primários para 4,25% do PIB (combate à sonegação fiscal e controle dos gastos das três esferas do governo) e redução dos juros reais para 9% ao ano.

                  Com esse plano, aliado a uma projeção de crescimento do PIB de 3,5% ao ano (3,3% em 2005), conta-se chegar no ano de 2011 com uma relação Dívida Líquida/PIB de 40%, ou menos.

                   Conclui-se que, sem turbulência externa, a economia brasileira obterá o ajuste interno em cinco anos. Contudo, com crescimento econômico lento, o desemprego não se reduz na velocidade esperada, mantendo-se cerca de 33 milhões de pessoas com renda mensal que apenas consegue adquirir a cesta básica. A pobreza e as desigualdades sociais e regionais no Brasil são ainda muito altas e a taxa de criminalidade atinge patamares assustadores, principalmente nas grandes cidades.

                 Assim, dadas as restrições dos juros e dos baixos níveis atuais do investimento total, torna-se necessário incentivar-se o afluxo de investimentos externos, no contexto, por exemplo, das Parcerias Público-Privadas (PPP), dirigidas principalmente para obras de infra-estrutura e para projetos de melhorias sociais.

                       Ademais, a queda da taxa SELIC para 15% (juros reais de 9%, contando uma inflação de 6%) reduziria os encargos da dívida pública, abrindo espaços para aumento dos investimentos públicos. O essencial, contudo, é não perder o foco do saneamento financeiro, centrado no plano de sustentabilidade da dívida pública. A continuidade dessa política, a seriedade com que ela é conduzida, constitui um fator importante para a redução do risco-Brasil e para aumentar o afluxo de capitais externos, sobretudo de capitais diretamente produtivos.     

                                                                                                      Porto Alegre, 23/11/2005.

                      

 

 

 

 

 
   

 

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